Como Osasco deixou de ser um bairro de São Paulo e virou uma grande Cidade

OsascoNo dia 19 de Fevereiro de 1962, após um plebiscito conturbado, Osasco finalmente virou um município independente da Capital Paulista, deixando o seu passado de bairro abandonado para trilhar um caminho que faria a cidade se tornar a Segunda maior economia do Estado de São Paulo, segundo dados do IBGE.

A história de Osasco costuma ser dividia em "Antes da Emancipação" e "Depois da Emancipação", pois antes do movimento que levou a sua independência, Osasco era um mero distrito industrial abandonado pela Prefeitura do Município de São Paulo. Antes da emancipação, Osasco era o último bairro da Capital Paulista, localizado na "cauda" da Região Oeste. A extensão entre o bairro Butantã e o atual Vila Yara era totalmente desprovida de habitações e serviços públicos, sendo eles presentes apenas no Distrito e ainda assim de forma precária. A segurança pública se restringia a uma sub-delegacia cujo delegado era escolhido pelo Governador, a conservação das ruas era pouca, em sua grande maioria eram de terra e nem metade da cidade contava com redes de coleta do Esgoto, isso sem mencionar a precariedade das Escolas Públicas da rede de ensino municipal.

OsascoEm 1943, segundo novas leis da Capital Paulista, Osasco foi reduzido de Distrito para um subdistrito, fazendo com que o potencial jurídico do bairro passasse a ser inferior. Segundo moradores da época, essa medida foi a Gota d'água para que o movimento municipalista ganhasse forças até o momento. No ano de 1948, o município vizinho Barueri uniu forças e se emancipou de Santana de Parnaíba, ficando como exemplo para a luta dos municipalistas de Osasco que finalmente conseguiram acender as chamas da grande parcela da população que defendia a autonomia público-administrativa do até então subdistrito.

Após o fortalecimento do desejo municipalista, surgiu a campanha do "SIM", promovida por estudantes, professores e militantes da época que eram apoiadores da emancipação de Osasco, contraposta pela campanha do "NÃO", criada pelo dono do único Cartório de Registro Civil de Osasco, totalmente contra o movimento separatista. Ambos os lados tinham apoiadores incondicionais e desejos fervorosos de vitória.

No ano de 1953 foi realizado o primeiro Plebiscito para que a população escolhesse entre o SIM ou o NÃO, entretanto, a resposta da população foi democraticamente negativa, tendo o "Não105 votos a mais. Dentre os motivos do resultado, pode-se destacar que os pequenos jornais da época difundiam notícias falsas para amedrontar a população osasquense, afirmando que os ônibus não passariam mais da Vila Yara, o salário mínimo seria reduzido na futura cidade e que haveria a proibição de criar animais no perímetro osasquense. A partir daí, a campanha pelo "SIM" foi tomando forças e a Prefeitura de São Paulo estava completamente desmoralizada em Osasco.

OsascoA próxima consulta pública seria feita no ano de 1958, com o passar dos anos o movimento dos Autonomistas tomou cada vez mais força e as reuniões que ocorriam em um bar na Rua João Batista passaram a ocorrer no Clube Atlético Floresta, na Rua Primitiva Vianco, pela maior disponibilidade de espaço para os novos adeptos ao movimento.

No dia 21 de Dezembro de 1958 foi realizada a nova votação e o SIM venceu quase que unanimemente, fazendo com que Osasco, em parâmetros legais viesse a se tornar um município independente. Todavia, a Capital Paulista não pretendia deixar que isso se concretizasse com o medo do novo município atrevido "dar certo" e fomentar novos movimentos separatistas em Distritos periféricos, como Pirituba, Itaquera, Santo Amaro e Guaianazes. Seria muito difícil também explicar a todo o Brasil como um distrito poderia querer se separar do centro financeiro do país com tanta convicção.

Os deputados Estaduais também decidiram reconhecer Osasco como município, pela lei 5.121/58, que enfureceu ainda mais as forças contrárias a emancipação presentes na Capital Paulista. O até então Prefeito de São Paulo Adhemar de Barros tentou impiedosamente boicotar o processo de separação da cidade, atacando os deputados que foram a favor da medida e retirando serviços públicos essenciais da cidade, que acabaram por ser reconstruídos pelo Primeiro prefeito da cidade Hirant Sanazar.

A população osasquense no geral foi atuante nesse processo, promovendo desde carreatas que partiram da Avenida dos Autonomistas até o fechamento de comércios com bandeiras pretas simbolizando o "luto" pela falta de consideração da antiga Prefeitura pelo 14º Distrito. Após a emancipação, Osasco "arrumou a casa", "varreu a calçada" e começou a se estruturar. Pequenas ações passaram a ser tomadas, como por exemplo: A urbanização de bairros como o Bela Vista, Cipava, Bonfim, Industrial Altino e Centro; Asfaltamento de vias, postes de iluminação pública e novas coletas de rede de esgoto; Revitalização do centro da cidade e a criação do atual Largo de Osasco; A criação de diversas sedes da Prefeitura até a atual localizada na Avenida Bussocaba; A fundação da Guarda Civil Municipal; Duplicação da antiga Estrada de Itu que foi renomeada como Avenida dos Autonomistas, dentre diversas outras ações que fizeram com que Osasco viesse a ser a cidade que é hoje.
Osasco

Atualmente a cidade de Osasco alcançou o posto de oitava cidade mais desenvolvida do Brasil e segunda do Estado de São Paulo, tendo o segundo maior PIB per capita da Região Metropolitana Oeste da Capital Paulista, sede de empresas como o Bradesco, Mercado Livre, Avon, SBT, Rede TV!, Pão de Açúcar, Submarino, Osram, White Martins, City Food do McDonalds, Rock'n Ribs, centro de distribuição da Coca-Cola, Meritor, Cimaf Cabos e diversas outras pequenas e médias empresas, fora especulações sobre a vinda de novas gigantes da tecnologia.

A pergunta fica no ar: Será que se não fosse por toda essa luta, Osasco teria alcançado indicadores tão impressionantes para um antigo distrito que sempre foi abandonado pelo poder público? Essa pergunta nunca poderá ser respondida, pois a luta foi tamanha que seu objetivo tão difícil se concretizou. Hoje a cidade passa por momentos políticos conturbados que podem ser contornados pela força de uma população que sempre lutou pelo bem maior.




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